Nesta página está o artigo "COMO PREÇOS MUDAM NO MUNDO", que foi publicado na coluna Opinião do Especialista na página 5 do caderno Financeiro da edição de 9 de junho de 2006 do jornal Monitor Mercantil.

A motivação para redigir e publicar o artigo "COMO PREÇOS MUDAM NO MUNDO" ocorreu após uma apresentação na terça-feira, 6 de junho de 2006, no Seminário de Pesquisa do Instituto de Economia da UFRJ, da conferência "Interação entre preços e taxas de câmbio" por convite de um professor, que já assistira uma apresentação de Marcelo Henriques de Brito num seminário para a pós-graduação da EBAPE-FGV. Adicionalmente, a publicação em 2006 de novos valores do Índice Big Mac da revista THE ECONOMIST (edição May 27th-June 2nd 2006, v379, n.8479, página 74) deve reforçar a confiança de que são consistentes idéias apresentadas no livro "Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política" e no trabalho premiado no ENEFIN em 2004, pois tais idéias com base matemática se sustentam com a passagem do tempo e a divulgação de novos dados.


COMO PREÇOS MUDAM NO MUNDO

Marcelo Henriques de Brito, Administrador e Engenheiro, Ph.D. diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e sócio da PROBATUS (www.probatus.com.br)



Pelo vigésimo ano consecutivo, a revista The Economist publicou na última edição de maio de 2006, para vários países, o Índice Big Mac, que indica o quanto o preço em dólares do sanduíche Big Mac num país fica acima ou abaixo do preço nos EUA. O Índice Big Mac de todos os países seria zero, se fosse aplicável a "Lei do Preço Único", que sustenta que produtos iguais são vendidos em qualquer lugar pelo mesmo preço, expresso na mesma moeda, se não houver obstáculos ao comércio, tais como: custos com transporte, dificuldades logísticas e barreiras protecionistas.

Diferenças no poder aquisitivo e gastos com pontos de vendas e serviços necessários para a entrega ou o consumo de um produto são outros fatores que podem alterar preços. Logo, embora o Big Mac seja confeccionado da mesma forma no mundo, há muitos motivos para aceitar que o seu preço em maio de 2006 variasse de US$ 1,31 (China) até US$ 5,21 (Suíça), como informou a The Economist.

Apesar desta notável diferença nos preços, os reajustes anuais médios em dólares tendem a ser similares entre os países, incluindo a China, onde o preço em dólares para o Big Mac é muito baixo e o governo chinês evita valorizar sua moeda. Caso o reajuste em dólares num ano e país fique bem abaixo ou acima do reajuste médio no mundo, é muito provável que no ano seguinte o reajuste do preço naquele país seja tal que o reajuste anual médio em dólares do país se aproxime da média mundial.

Este fato provei matematicamente no livro Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política (Probatus) e no trabalho científico "Interação entre preços e taxas de câmbio", premiado no Encontro Norte-Nordeste de Finanças em 2004, ao usar a longa série do Índice Big Mac para calcular o índice financeiro iHdB, cujos valores oscilam em torno de zero.

Com dados recentes, a série do índice iHdB calculado com o índice Big Mac continua a revelar como mudanças nos preços internos são influenciadas por reajustes externos e, sobretudo, pela variação cambial, sendo que aumentos de inúmeros preços podem ser contidos por uma valorização cambial, a qual pode resultar do aumento das taxas de juros. Por outro lado, a diminuição na distância entre a taxa de juros no Brasil e a taxa de juros nos EUA pode explicar a recente desvalorização do real frente ao dólar americano.

Este outro conceito tem sido comprovado por uma curva para a variação cambial mensal e outra curva para o prêmio nominal mensal - razão entre a taxa de juros no Brasil (Selic) e a taxa de juros nos EUA (Federal Funds).

Este gráfico resultou de um desmembramento do índice iHdB calculado com taxas de juros e foi proposto no supracitado livro, cujo lançamento em fevereiro de 2004 foi noticiado pelo MONITOR MERCANTIL, que também publicou na época o referido gráfico, o qual continua sendo atualizado em www.probatus.com.br.

No caso da comparação de preços entre locais diferentes que usam uma mesma moeda, a dedução matemática da equação do índice iHdB calculado com preços evidencia que locais diferentes podem apresentar preços diferentes, embora a razão entre os preços permaneça constante, enquanto um local não for mais próspero do que o outro.

Por outro lado, naqueles locais dinâmicos para atividades empresariais os preços tendem a crescer mais do que nos locais estagnados para negócios e, assim, deve aumentar a razão entre os níveis de preços dos dois locais durante um período, resultando num valor positivo do iHdB do local dinâmico em relação ao local estagnado para o referido período.

Intuitivamente é possível perceber que um local mais próspero é em média mais caro do que um local estagnado por um certo percentual, cuja redução ocorrerá quando for negativo o iHdB do local outrora dinâmico para negócios em relação ao local outrora estagnado. Isto deverá ocorrer, já que existe uma inevitável flutuação entre períodos de crise e de prosperidade.

Concluindo, os preços de produtos e serviços idênticos numa moeda forte não precisam ser iguais em todo mundo. Todavia, a forma pela qual os preços são reajustados afeta o faturamento e o resultado das empresas e, portanto, a rentabilidade das ações negociadas nas bolsas de valores no mundo. Por isso, os reajustes de preços aplicados por multinacionais na moeda local normalmente fazem com que a taxa média de reajuste anual numa moeda forte seja similar à média mundial.



Este artigo foi originalmente publicado na coluna Opinião do Especialista na página 5 do caderno Financeiro da edição de 9 de junho de 2006 do jornal Monitor Mercantil.



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