Abaixo estão reflexões sobre atributos de uma liderança.


CONHECIMENTO e LIDERANÇA

Marcelo Henriques de Brito (*)


É recomendável que todo gestor em cargos de liderança domine informações suficientes sobre as mais diversas disciplinas e, assim, obtenha uma clara compreensão de que o conhecimento está entrelaçado.

Mesmo aquele gestor que deseja se especializar numa determinada área precisa compreender que a sua contribuição profissional estará sempre inserida dentro de um contexto, tanto interdisciplinar quanto geográfico, que freqüentemente pode envolver relações internacionais nesse mundo globalizado.

Em alguns casos, não é possível adotar diretamente uma solução considerada perfeita por um especialista, pois aquelas providências podem gerar uma série de implicações em outras áreas. Por exemplo, um corte sumário do orçamento de pesquisa e desenvolvimento pode comprometer a obtenção de novas receitas pela falta de inovação, além de restringir a criatividade para aprimorar a produção, o que acarretaria reduções adicionais de custos.

Outro grande desafio para gestores é inferir as implicações de longo prazo de decisões aparentemente adequadas no curto prazo. Por exemplo, demissões podem de fato conter gastos sem delonga, mas também podem abalar a motivação dos funcionários e seu comprometimento para o desenvolvimento futuro da empresa. Por outro lado, pode não ser simples, sequer exeqüível, implementar certas medidas polêmicas num primeiro momento, porém benéficas no longo prazo, sobretudo se a atuação de administradores públicos e privados tender a ser julgada somente por resultados mensuráveis de forma rápida e portanto superficial. Esta forma imediatista de aferir uma gestão possibilita comportamentos oportunistas de gestores privados e públicos, os quais podem agir priorizando interesses pessoais, ao invés de valorizar interesses coletivos.

Aquele profissional que administra empresas e órgãos públicos com uma postura interdisciplinar e aglutinadora deve ser capaz de encontrar soluções globais a fim de promover mudanças importantes com o maior apoio possível. Para tal, o líder deve ser capaz de ouvir, negociar e inspirar confiança de que suas decisões são acertadas, inclusive pelo fato de que nem sempre é possível esclarecer ou divulgar a todos os motivos que o levaram a selecionar um determinado caminho a partir de um conjunto de alternativas e circunstâncias.

Em todo caso, os gestores devem estar conscientes de que suas decisões impactam diretamente a vida de um cidadão comum, o qual pode não inferir as relações de causa e efeito, até por não dominar certos conceitos e termos técnicos. Por exemplo, os fluxos de capitais internacionais afetam as taxas de câmbio com reflexos sobre os preços internos de uma sociedade. Não é, entretanto, evidente para o cidadão comum entender como o resultado do balanço de pagamentos pode influenciar a vida das organizações que podem dar empregos. Este caso demonstra que o cidadão comum precisa confiar nos gestores ilibados, os quais têm uma responsabilidade em tomar decisões que considerem as implicações sociais.

Adicionalmente, artigos específicos de uma lei tributária, ambiental ou trabalhista podem causar grandes transtornos ao administrador, sobretudo quando há dúvidas quanto à interpretação e são criados obstáculos burocráticos na implementação. Isso pode retardar e até paralisar investimentos, com impactos adversos sobre a expansão de empregos e o aumento da renda.

Aspectos regulatórios são essenciais para a prosperidade de uma região desde que as regras sejam equilibradas, exeqüíveis e estáveis. Uma legislação societária e um marco regulatório coerentes atraem investimentos em infra-estrutura, que possibilitam a criação de novos negócios e a expansão de empresas existentes, além de possibilitarem melhores condições de vida para a população.

A população deve estar comprometida em cumprir o que foi combinado num ambiente de plena liberdade e justiça. Tal atitude também inclui assegurar garantias de que os contratos serão constantemente honrados e os direitos de propriedade serão respeitados por todos os níveis de governo. Quanto mais um país transmitir ao mundo de que é sério, mais fácil deverá ser o desenvolvimento e a captação de tecnologia e investimentos que podem promover a qualidade de vida da população.

Quanto mais um país for estável, menor será a percepção de risco, o que diminui as taxas de juros nos financiamentos para todos os ramos de atividades, ampliando as oportunidades de negócios e níveis de emprego. Quanto maior for a credibilidade no mercado internacional das empresas instaladas num país em entregar produtos com qualidade, nos prazos e nas condições acordadas, maior será a contribuição do nome do país no aumento do fluxo de comércio exterior. A reputação de país sério no mundo pode gerar novas oportunidades de negócios e empregos no mercado interno.

O bem-estar num país não depende exclusivamente dos seus recursos naturais, tampouco da sua posição geográfica. Vários países desprovidos de fontes próprias de matéria-prima e energia conseguem ser muito prósperos por terem um povo com uma atitude propositiva perante suas atividades profissionais e seus governantes.

Assim, a sociedade deve compreender a importância e as vantagens do país ter uma mentalidade aberta e criativa com dinamismo na gestão das organizações privadas e das instituições públicas.

Ademais, as lideranças devem decidir e agir com conhecimento e segurança, inspirando respeito e confiança, pois, como teria mencionado Luís de Camões: "Que um fraco Rei faz fraca a forte gente".

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(*) Diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Sócio da Probatus e Professor do Ibmec-RJ, probatus@probatus.com.br.

Texto originalmente publicado na coluna Opinião do Jornal do Commercio, edição de 13 de julho de 2011, página A-17



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