Abaixo está o artigo "SONHAR E PLANEJAR PARA CHEGAR À CONQUISTA", de Marcelo Henriques de Brito. O artigo foi publicado na página A3 da edição de 8 de janeiro de 2009 do jornal Gazeta Mercantil, assim como na sua edição eletrônica. O conteúdo do texto pode ser útil por tratar de planejamento e por tratar de pessoas e suas carreiras, ilustrando os conceitos com a trajetória do atleta brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima. Tem-se a expectativa de divulgar um conteúdo inspirador para um início de ano em um texto já redigido com a nova ortografia. Por isso, "autoestima" aparece sem o hífem, assim como foi abolido o trema de "subsequente", por exemplo.


SONHAR E PLANEJAR PARA CHEGAR À CONQUISTA

Marcelo Henriques de Brito (*)



Vanderlei Cordeiro de Lima encerrou sua carreira de atleta profissional na Corrida de São Silvestre no último dia de 2008 com um legado inspirador para todos. Seu êxito na Olimpíada de Atenas em 2004 e as subsequentes frustrações do atleta revelam como um sonho alimenta a persistência para executar um plano consistente, mas também como se deve lidar com infortúnios. Vanderlei Cordeiro de Lima encerrou sua carreira de atleta profissional na Corrida de São Silvestre no último dia de 2008 com um legado inspirador para todos. Seu êxito na Olimpíada de Atenas em 2004 e as subsequentes frustrações do atleta revelam como um sonho alimenta a persistência para executar um plano consistente, mas também como se deve lidar com infortúnios.

Recordemos que no final da maratona que liderava nas ruas de Atenas, Vanderlei foi brutalmente agarrado e retirado da pista por um homem fantasiado. A agressão ocorreu nos instantes finais, quando a diferença de Vanderlei para o segundo colocado era grande. Segundo Vanderlei, "Não sei se venceria. Mas com certeza o final seria diferente. A partir daquele momento, eu comecei a ter problemas. Principalmente para voltar ao ritmo da competição".

Sobretudo no final de uma corrida extenuante, uma parada abrupta desregula o organismo. A recuperação fisiológica requer alguns minutos, o que é muito, quando a diferença entre corredores pode ser de segundos. Mais difícil ainda deve ser a recuperação do susto, sem se abalar pela constatação de impotência para reverter uma perda. Após mancar para retornar à pista, teria sido mais confortável para Vanderlei não ter que presenciar as ultrapassagens do italiano Stefano Baldini, medalha de ouro, e do americano Mebrahtom Keflezighi, medalha de prata.

Em vez de despender energia sentindo-se vítima das circunstâncias ou conjecturando o motivo da desgraça, Vanderlei completou a maratona exultante e em terceiro lugar, o que lhe valeu a medalha de bronze. Uma vez que seu esforço corroborou um espírito olímpico, ele teve a honra de receber a medalha Barão Pierre de Coubertin. Ambas as medalhas foram as únicas do atletismo brasileiro em Atenas.

Possivelmente a intervenção do Comitê Olímpico Brasileiro contribuiu para Vanderlei ganhar a medalha, ao reforçar a relevância de recompensar o atleta pelo surpreendente contratempo. Dada a ameaça do terrorismo, uma ajuda notável e corajosa veio do grego Polyvios Kossivas. Ele auxiliou Vanderlei a se livrar do agressor, a se levantar do chão e a voltar para a corrida com um discreto empurrão, que possivelmente elevou a autoestima de Vanderlei. O atleta também contou com o apoio do técnico Ricardo D''Angelo, com quem compartilhava a possibilidade de ser medalhista. Assim, no tortuoso caminho do êxito, é importante receber apoio também de pessoas simples e desconhecidas.

Mesmo obtendo o bronze, Vanderlei realizou seu sonho, pois afirmou: "Poderia ter chegado ou não à medalha de ouro. Meu objetivo era ficar entre os três primeiros na maratona e consegui. Não tiro o mérito do italiano". O sonho de Vanderlei acarretou um planejamento: "Faz quatro anos que eu vinha trabalhando com o sonho de ganhar uma medalha no Estádio Pananthinaiko. E graças a Deus, esse sonho se realizou", disse o atleta, que aceitou o resultado de forma magnânima.: "A minha alegria supera a mágoa que eu poderia ter. Deus colocou isso no meu caminho para me testar". Com estas afirmações, Vanderlei não nega uma frustração, porém demonstra tratar o imprevisto como sendo um obstáculo a transpor ao tornar o sonho uma realidade. O atleta foi humilde para reconhecer que conquistas não resultam apenas de um notável esforço pessoal e que circunstâncias fora do nosso controle podem tanto nos ajudar quanto nos prejudicar.

Os sucessivos problemas musculares depois de sua memorável atitude em Atenas impediram a participação de Vanderlei em várias corridas internacionais e sobretudo nos Jogos de Pequim. O atleta compreendeu que, se por um lado acabavam suas expectativas de subir ao pódio como atleta profissional, por outro ele poderia, sim, continuar tendo o prazer em participar de corridas. Com alegria e interação com o público, ele concluiu o percurso da São Silvestre e anunciou que deverá continuar a participar de corridas até como forma de divulgar o atletismo.

Essa conduta reforça o mérito de Vanderlei e é um exemplo de que se deve aceitar as limitações reais com serenidade, sem entretanto deixar de sonhar, conquistar e executar planos viáveis, que agreguem pessoas e que possibilitem uma satisfação pessoal.

kicker na edição impressa: A saga de Vanderlei Cordeiro de Lima é exemplo de tenacidade

Este artigo foi originalmente publicado na seção Opinião da edição impressa da Gazeta Mercantil na quinta-feira, 8 de janeiro de 2009, página A-3, assim como na edição eletrônica em:

http://www.gazetamercantil.com.br/GZM_News.aspx?parms=2274532,18,20,3

(*) Administrador e Engenheiro, sócio da PROBATUS Consultoria, diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Ph.D., CNPI e Certified Financial Planner (CFP®), probatus@probatus.com.br.



PROBATUS Consultoria e PROBATUS Publicações Ltda.
Av. Nossa Sra. Copacabana 1059 / sala 902, Copacabana • CEP: 22060-000 • Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (+21) 25225815 - 38130283  FAX: (+21) 25225815 E-mail:probatus@probatus.com.br
www.probatus.com.br